REALIDADE VIRTUAL NA FISIOTERAPIA

A realidade virtual é uma ferramenta inovadora na fisioterapia e tem sido utilizada na avaliação e reabilitação de pessoas com distúrbios do movimento, do equilíbrio postural e da marcha.

 

É uma tecnologia computacional que recria ambientes virtuais por meio de estímulos visuais, auditivos, vestibular e somatossensorial simulando a sensação de interagir em um ambiente real.

    

    

A sua aplicação no tratamento de pessoas com distúrbios do equilíbrio corporal e da marcha decorrente do envelhecimento, vestibulopatia, doença de Parkinson e de sequelas por acidente vascular cerebral (AVC) vem como um recurso tecnológico adicional que mimetiza situações cotidianas funcionais.

 

A realidade virtual imersiva, na qual o ambiente virtual predomina em relação ao ambiente real, quando associada a mudanças dos estímulos ambientais (por exemplo: sentado sobre uma bola, em pé sobre superfície firme, espuma ou prancha de equilíbrio) pode favorecer maior integração entre os sistemas sensório-motores-cognitivos envolvidos no controle postural e melhora nas estratégias reativas e proativas do equilíbrio postural.

 

A realidade virtual imersiva contém dispositivos de alta tecnologia como, por exemplo, óculos de realidade virtual (Head Mounted Display) que facilitam a liberdade na movimentação da cabeça durante o estímulo visual projetado e permite que o usuário tenha a sensação de estar inserido em um ambiente virtual.

 

Na realidade virtual não imersiva, na qual predomina o ambiente real, o usuário utiliza, por exemplo, jogos eletrônicos, tais como, o videogame Xbox Kinect e Nintendo WiiTM. Os jogos podem ser visualizados na televisão ou projetados por um projetor multimídia, e há uma integração entre o usuário e o jogo, por meio da plataforma de equilíbrio postural (Wii Balance Board) e sensores de movimento como o Kinect e o controle manual do Nintendo WiiTM (Wii Remote Controller).

 

Para delinear o programa de reabilitação, é importante considerar o diagnóstico médico, as manifestações clínico-funcionais, e os potenciais e a idade do paciente. Adicionalmente, recomendamos mensurar a pressão arterial e a frequência cardíaca no início e ao término de cada sessão, principalmente nos pacientes idosos e com cinetose.

 

Estudos têm mostrado que a realidade virtual pode promover a redução da tontura e de outros sintomas otoneurológicos, a melhora do equilíbrio corporal, da capacidade funcional e da qualidade de vida, e redução do risco de acidentes por quedas durante a marcha em pacientes com vestibulopatia, doença de Parkinson e com sequelas sensório-motoras após AVC.

 

As contra-indicações relativas para o uso dessa tecnologia são: pacientes com incapacidade para compreender e atender a comando verbal simples, impossibilitados de permanecer na posição ortostática, comprometimento visual grave ou não compensado com uso de lentes corretivas, com distúrbios ortopédicos que resultam em quadro álgico, discinesia e limitação de movimento.

    

REFERÊNCIAS

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