VESTIBULOPATIA – “LABIRINTITE”

O sistema vestibular, localizado dentro da orelha, tem funções importantes para manter a imagem nítida ao movimento de cabeça e a estabilidade postural. Em casos de disfunção nessa estrutura e suas conexões, o paciente relata “labirintite” caracterizada por tontura e desequilíbrio corporal. A presença da tontura/vertigem, instabilidade postural e risco de quedas são queixas comuns em idosos com vestibulopatia aguda ou crônica.

 

O paciente ainda pode referir náusea, vômito, enjoo ao movimento, escurecimento da visão, sensação de desmaio, zumbido, perda auditiva, hipersensibilidade a sons, perda de memória, distúrbio do sono, ansiedade e depressão. A cronicidade do quadro e episódios de quedas recorrentes ocasionam prejuízo significante na funcionalidade e na qualidade de vida do paciente.

 

Os pacientes, geralmente, referem perda da autonomia, restrição das atividades sociais e viagens com o intuito de reduzir o aparecimento de sintomas desagradáveis, e para evitar o embaraço social e o estigma que possam causar. Adicionalmente, as crianças com disfunção vestibular podem apresentar prejuízo na aquisição e na estruturação da linguagem, e distúrbios da fala, incoordenação motora, prejuízo da orientação espacial, dificuldade de aprendizagem e baixo desempenho escolar.

 

Sendo assim, para compreender e tratar os distúrbios do equilíbrio corporal de origem vestibular, é importante uma avaliação minuciosa instituída por médico otorrinolaringologista e/ou neurologista, fonoaudiólogo e fisioterapeuta, a qual possibilita estabelecer o diagnóstico topográfico da lesão, avaliar a intensidade do quadro clínico, reconhecer os determinantes da limitação funcional, identificar risco de quedas, orientar o tipo de tratamento a ser instituído e monitorar a evolução do paciente. O adequado diagnóstico etiológico e físico-funcional é essencial para o prognóstico e o estabelecimento dos objetivos e do planejamento do programa de terapêutico.

O QUE É REABILITAÇÃO VESTIBULAR?

Os recursos utilizados para o tratamento do paciente com queixa de tontura e/ou desequilíbrio corporal de origem vestibular são: tratamento etiológico, farmacoterapia, orientação nutricional, modificação de hábitos, psicoterapia, reabilitação vestibular e, em alguns casos, procedimentos cirúrgicos.

 

A reabilitação vestibular, também denominada de fisioterapia vestibular, é constituída por exercícios específicos de olhos, cabeça e/ou corpo e/ou manobras terapêuticas. O sucesso da reabilitação vestibular tem sido observado em muitos pacientes, os quais referem redução ou remissão dos sintomas e melhora da qualidade de vida e da capacidade funcional.

 

A escolha dos exercícios dependerá da característica do quadro, da necessidade e da idade do paciente. Portanto, a adequada identificação da vestibulopatia, da sua etiologia e das alterações físico-funcionais é indispensável para o tratamento apropriado. Estudos mostraram que exercícios supervisionados e personalizados proporcionam remissão/redução dos sintomas em aproximadamente 85% dos pacientes com vestibulopatia.

 

A reabilitação vestibular deve ser personalizada, e composta por exercícios que promovam estímulos sensório-motores para que haja a recuperação funcional por meio da neuroplasticidade no sistema nervoso central.

 

Os objetivos da reabilitação vestibular são: reduzir as manifestações clínicas, promover interação visuovestibular durante a movimentação cefálica, melhorar o equilíbrio corporal estático e dinâmico, reduzir a sensibilidade à movimentação cefálica, promover a orientação espacial, evitar acidentes por quedas, e melhorar o condicionamento físico global e a capacidade funcional do paciente.

REFERÊNCIAS

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